sábado, 20 de agosto de 2011

Propaganda: O espelho do Eu


Antropologia e publicidade.
Um ensaio sobre a personificação do eu na propaganda


            Vivemos em um mundo em que a liberdade de expressão é regida sobre a orquestra da censura. Sempre censuramos o que sai na televisão, alegando que nossa reputação foi violada.

            Mas, por que essa censura é orquestrada pelo super eu? Primeiramente, temos que saber o que é censura. Ivanir Barp Garci, no artigo publicado “Censura, o discurso interrompido”, discorre sobre o tema:

“Ao promover o sujeito do inconsciente, Sigmund Freud lança um golpe mortal ao ego que se acreditava livre, capaz de executar processos em liberdade, a um ego que se acreditava autônomo, autodeterminado, senhor de si, centrado no sistema percepção-consciência. Assim, o mestre vienense trouxe à luz uma nova impressão do homem, isto é, um homem  ferido em seu narcisismo para sempre “na bela imagem que possuía de si mesmo como ser consciente e racional e com a qual, durante séculos, esteve encantado” (CHAUI, 1995).”

O que Chauí diz, é que Freud trouxe para a realidade os desejos reprimidos do homem. Quando dizemos que não gostamos de algo, quando julgamos alguém por um determinado motivo, o que fazemos é exteriorizar o super eu, que se reprime com medo do que a sociedade dirá.

Na campanha Devassa, da cervejaria Schincariol, o CONAR( Conselho de autorregulamentação publicitária) recebeu inúmeras queixas por haver uma mulher loira(a socialite americana Paris Hilton) com uma conotação sexual. A principal queixa? Aquela campanha desvalorizava a mulher. Isso soa estranho, já que o Brasil é conhecido pelo seu carnaval, pelas praias e pelas..... mulheres. Em todas as manifestações culturais, as mulheres estão de biquíni extremamente curtos e dançando sensualmente.  Concordo que a campanha pode ter parecido de mau gosto, mas o ponto chave éque as reclamações não tiveram esse cunho, e sim, alegaram a exploração do corpo da mulher. Seguindo o que Freud diz, a campanha da Schin trouxe à tona “o narcisismo ferido”. Que mulher não gostaria de ser Paris Hilton, com todos os homens lhe desejando?

Segundo Lacan, “lhe foi necessário inventar o inconsciente, para responder ao mal-estar de sua cultura, provocada pelo surgimento da neurose como tal.”, ou seja, se antes as pessoas o temiam, e se cobriam pelo pecado capital, hoje, como forma de curar esse mal-estar do seu super eu, o ser humano censura o que lhe aflige em fazer. Todos nós podemos desejar ser as mulheres frutas, que, mesmo não se enquadrando no perfil da sociedade quadrada, conseguiram sucesso. O problema é que não temos coragem de sair com micro shorts e blusas decotadas para ficarmos rebolando em bailes funck, porque a sociedade em que vivemos nos rege com a orquestra da censura.

Uma outra campanha que foi parar no CONAR foi as dos pôneis malditos, da montadora Nissan. A queixa? Estavam denegrindo a imagem dos pôneis.

Um outro problema que a propaganda vive é o trabalho infantil. Por lei, criança só pode trabalhar acima dos 16 anos, salvo sobre condição de aprendiz. Mas porque então permitem que crianças gravem novelas e façam campanhas? Compreendo perfeitamente que existe público- alvo, e que devemos fazer o briefing de acordo com o produto. Uma coisa é a criança gravar o filme publicitário. Outra bem diferente é ela não sair do personagem que criam para ela.

A modelo Thylane Blondeau é um exemplo de modelo. Tem traços perfeitos, postura impecável, o problema é que ela tem apenas 10 anos e já fotografa para a Vogue, com Tom Ford, como uma modelo adulta( no sentido literal). As poses da menina no editorial levantam uma questão: Estamos criando uma pedofilização da sociedade?  Thylane já fotografou inclusive sem blusa. “Crescer com uma imagem idealizada de beleza e de sedução é o principal problema.”, afirma Jane Felipe. As crianças estão se tratando como objetos, porque o problema não está exatamente nas fotos, já que ela não tem a malícia para tal conotação. O problema está nos olhos de pedófilos que podem enxergá-las como mero objeto sexual.

As chamadas Star Disney um dia foram crianças, até que ficaram famosas. Quem não se lembra dos surtos de Britney Spears? Ou as internações ( com problemas psicológicos e com as drogas) de Demi Lovato? Ou até mesmo a atriz mexicana, agora com 16 anos, Danna Paola, que já posou para a Open( revista conceituada, mas para o publico mais velho) e diz que sonha com os 18 anos por que não vê problemas em posar para fotos sensuais? Ela, pelo menos, foi suspensa por sus emissora (televisa), quando saíram suas fotos para a TvyNovelas, outra revista, mas de fofoca. O fato é, de quem é a culpa?

Poderíamos culpar as marcas que as escolhem e acabam se tornando exemplos para as outras crianças? Partindo do principio de que elas representam a imagem da marca, logo, elas devem se portar como figuras da mesma.

Poderíamos culpas as agências que aprovaram a idéia do publicitário, afinal, foi ele quem idealizou o briefing? E nesse caso, não seria conveniente criarmos um órgão de ética para os profissionais? Se um profissional age de má fé, a classe inteira fica desacreditada.

Poderíamos culpar as mães que permitem que essas crianças sejam expostas?

Ou poderíamos deixar de lado a hipocrisia e assumirmos que a culpa também é nossa, afinal, a publicidade só veicula aquilo que é consumido em um ambiente cultural, e se a cultura compra, a publicidade comunica.

Se permitimos tias atitudes, porque censuramos?  Segundo Lacan, “A censura tem sempre relação com o que, no discurso interrompido, deve identificar-se com a lei como incompreendida pelo sujeito.”.

Assim sendo, a censura na propaganda pode ser verificada como um eu incompreendido até mesmo por quem censura, e o desejo da mesma que sai das fissuras do inconsciente quando deseja algo. A isso não chamamos de inveja. A isso damos o nome de catarse, a principal função da propaganda.

Lembrem-se: A propaganda é o espelho do eu catártico que ainda não saiu de seu casulo social e tem medo ver a vida com outras asas.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Amigo, um ensaio
    
        Difícil querer definir amigo.             

Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.

Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não  querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera  retorno,  porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o alimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia
pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo  tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É   quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.                                                                          
 
Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor,  náusea, cólica gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu  sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você  nem sabia que buscava.                                                     
                                                            
Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos  bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e  atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos.                                     

Amigo é multimídia. Olhos....                                                                         

Amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus  desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. é lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que  se renova a cada instante com múltiplas e inesperadas  cores que cabem todas na sua íris.
                                                                                                    

Amigo é aquele que te diz   "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação:  
Amigo é quem te ama "e ponto". 
É verdade e razão,   sonho e sentimento.

 
Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.   
   Marcelo Batalha -20/10/96    

Um dia amado- 20 de julho



Dia 20 de julho, dia que brindamos as palavras sinceras, as risadas que nos animam, os sorrisos que nos contam os segredos da alma;
Dia 20 de julho, dia que lembramos que há um alguém que, mesmo com um tímido sonido de voz, diz "eu te amo" .
dia 20 de julho, dia de relembrarmos pessoas que moram perto, que moram longe, mas que habitam um único lugar: o nosso coração.
Dia 20 de julho é o dia que que queremos receber de volta o presente que demos: O abraço por interessante mais forte de todos.

Felicidades aos amados por um dia tão especial. Não preciso citar nomes, por que se sentirão abraçados por mim, através desse pequeno texto s2





Hoje eu vi o clip Ingênua, da interprete mexicana Dulce Maria, e mesmo não sendo muito fã dela, eu simplesmente amei o vídeo.


Por que eu amei?
Simplesmente PERFEITO. Um clipe simples, que narra, de fato, uma história. Ingênuo, sem pretensões de ser assimilar a um clip americano. Um clipe onde a arte final(edição) nao pecou em NADA. Detalhista. Quando filmam a Dulce e ela fala das mariposas, e sobem a camera com as borboletas, e ocorre um fade in(enquadramento dela) é o mais singelo possível. O clipe inteiro fala de sua mudança. Ele é mais um clipe pra falar da Dulce cantora, do q do clipe em si. Me pareceu ser uma autobiografia, mostrando que sua ingenuidade é eterna, mas as mudanças a fazem crescer e se transformar em uma linda mariposa.
Por mais que a criança passe a imagem de ingênua, no clipe é ela a responsável por descosturar o coração. A passagem de tempo no clipe, mostra que ainda há uma criança dentro dela, que tenta lhe proteger.

Vale muito a pena assitir

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Quando os anjos se vão

Amigos são minha inspiração, e se um tá mal, nada melhor que frases do coração para reave-los


Anjos não são pessoas que estão no céu
são as nossas asas nos momentos difíceis da vida,
são o nosso aparato no adormecer do dia,
e são o acalento de nossas angustias nos dias frios.

Quando alguém se vá, lamentamos e ironicamente a chamamos de anjo.
Mas porque ela só se tornou anjo depois de morte se é na vida terrena que
ela pode provar se é o nosso anjo ou o nosso algoz?

As pessoas se vão, e sempre perguntamos "Porque meu Deus?"
Mas porque não perguntamos: "Ele mereceu descansar contigo?"

Tenho uma filosofia de vida de que as pessoas tem uma única missão na vida:
Fazer as pessoas sorrirem. e quando ela completa essa "cota" de felicidade na terra
é a hora de partir, para que esse anjo possa nos adormecer a cada dia nos dias frios.
Talvez seja por isso que só as pessoas do bem se vão.

Mas e quando alguém q sempre nos fez mal se vai? Será que ele cumpriu essa tal missão?
te digo que não. Essa pessoa do mal que se foi, foi levada por nossos anjos, que estão sempre dispostos a nos proteger!

De quem é a culpa?- Um breve tratado sobre as causas da violência no Brasil

No ano passado, tive que escrever um documentário sobre a catartica violência no Brasil. Desfrutem


Para a concretização do seu processo de democratização, o Brasil transitou por vários tipos de regime político, desde monarquia parlamentarista ao militarismo. Em todos esses processos, muitas das vezes as conquistas sociais foram ínfimas. Apenas em 1937, com o Estado Novo, a nação tupiniquim alçou alguns direitos. Dito como pai dos pobres e mãe dos ricos, Getúlio Vargas deu ao trabalhador garantias para se trabalhar dignamente, não obstante, Vargas não contemplou aos trabalhadores rurais esses mesmos direitos, em um país tipicamente agrário, que apenas foi contemplado em 1968.
           Todo esse processo demonstra que as políticas firmadas no Brasil, nem sempre visam os seus cidadãos. Não há uma preocupação em garantir o que é direito e está na constituição: Educação, saúde, saneamento básico dentre outros direitos básicos. Nesse ano, o excelentíssimo senador Cristóvão Buarque inclui na constituição que todo brasileiro tem direito à busca pela felicidade. Mas ate que ponto um Estado pode garantir esse direito se, nem os direitos básicos, podem ser consumidos por todos os cidadãos, de todas as classes, credo, raça e idade?
           Em 2000, o brasileiro acompanhou em tempo real, por meio de lentes afoitas por um sensacionalismo gratuito, o seqüestro do ônibus 174, que mais tarde, em 2002, se tornou um documentário dirigido pelo cineasta brasileiro, José Padilha. Sandro,era morador de rua, que viu sua mãe ser morta e, principalmente, foi sobrevivente da chacina da Candelária, ocorrida em 22 de julho de 1993. A chacina não vitimou apenas os oito jovens que estavam dormindo no centro histórico do Rio de Janeiro. A chacina foi um alerta para todos os brasileiros, mostrando à eles que algo estava errado nesse sistema excludente. Em tempo, a maioria dos brasileiros julgou certa a atitude dos militares de matar essas oito crianças. Mas, de quem seria a culpa? Vale lembrar que uma nação é composta por seres humanos, e seres humanos tem anseios que se concretizam em atos dos terceiros.
           A chacina voltou aos noticiários em 12 de junho de 2000.  Aqueles que não se lembrava do massacre, agora teriam que acompanhar, ao vivo, o desfecho de uma historia mal resolvida. Sandro, um dos sobreviventes, invade o ônibus da linha 174, e o seqüestra por horas. Assomando-s à lembrança da chacina com o desejo oculto para dar fim àquele episodio, muitos cariocas vão à rua acompanhar o seqüestro, ao vivo, e à cores. As câmeras de emissoras chegam, e inicia um joguete de encenação entre policias, seqüestrador, seqüestrados, e cidadãos. Todos sedentos pela morte de Sandro, o que simbolizaria o fim daquela violência. Ledo engano. Sandro, por sua vez, aproveita a sua grande oportunidade, e pede o seu grito de socorro. Por primeira vez, ele é o centro das atenções de um país inteiro. No final, temos duas vitimas: Geysa que foi morta com 3 tiros, um deles do snyper, que lhe acertou no rosto, e Sandro, que lhe deferiram um tiro, mas foi morto asfixiado no camburão da policia, morto à surdina por policias, para que esses, se saíssem como heróis de todo essa historia.
           Esse episodio retrata a catarse de todos os envolvidos: A do Sandro, que, por primeira vez, é visto na sociedade; A dos policias, que vem no episodio a chance de serem heróis para os brasileiros, inflando os seus egos; A da população, principalmente quando correm para linchar o seqüestrador. Toda a angustia da insegurança toma forma e o tiro se torna um escudo para poderem agir com tamanha brutalidade; A da mídia, que quer dá o furo de reportagem e assim continuar com o seu “Q de qualidade”; E a dos seqüestrados que tiveram a oportunidade de refletirem, em tempo real, o que acontece no Brasil.
           Tarcisio Costa cita no seu texto Os anos noventa: O acaso do político e a sacralização do mercado “A expectativa que prevalecia nas análises era de que nos anos noventa política e economia tomariam a mesma direção, o processo de consolidação da democracia evoluiria passo a passo com a estabilização da moeda e a retomada do crescimento, segundo um novo modelo de desenvolvimento”. Com isso ele alega que, após os anos 1980, que foi, economicamente perdida, mas em termos civis os brasileiros ganharam muito, o clima de otimismo pairou no ar tupiniquim. Todos acreditavam que a nova política econômica poderia fazer com que o Brasil voltasse a crescer e, agora com um modelo democrático enraizado, esse crescimento se dividiria por igual. Mas não foi o que realmente aconteceu. Mais uma vez, a base da sociedade foi esquecida. Está mais que provado que divisão das riquezas de um país gera crescimento para o mesmo, isso por que as pessoas terão dinheiro para investir em novos negócios, para comprar mercadorias, fazendo a maquina do capitalismo girar. Entretanto, a burguesia ignora esses fatores econômicos e deixam que Sandro’s e Geysa’s se tornem mais um mero joguete nas mãos da sociedade.
           “Enquanto o acontecimento cria a notícia, a notícia também cria o acontecimento.” segundo Nelson Traquina. Com essa citação, Nelson Traquina resumi todo o objetivo que o filme de José Padilha quer retratar. O filme Ônibus 174 foi produzido dois anos após o seqüestro, entretanto, o filme é anacrônico e atópico, ou seja, poderia ser produzido em qualquer época e qualquer lugar.
           O consagrado cineasta brasileiro, José Padilha, mostra não apenas o seqüestro, mas também, a maneira como ele decorreu ao longo das quase 12 horas. Padilha percorre a infância de Sandro, passando pela Candelária e a morte da mãe do mesmo. Mas Padilha não intenciona em tratar apenas o caso Sandro. O cineasta busca demonstrar que há vários Sandro’s nas ruas tanto do Rio de Janeiro, quanto de qualquer outro lugar do país. Ele não defende nenhum lado (nem o de Sandro em seqüestrar, nem os da vitima). Ele retrata quem são os culpados e vitimas ao mesmo tempo, e muitas das vezes, o Estado é culpado. Mas não se deve apenas culpar o Estado. Cabe sim, ao Estado a parcela de culpa por não garantir aos seus cidadãos o que a constituição os garante. Mas há também as Geysa’s que, moram em favelas, nem tem as mesmas oportunidades que a burguesia, mas não se tornam bandidos.  Essa parcela de culpa cabe à sociedade que age com preconceito contra essas pessoas.
           Assomado à isso, o filme do mesmo produtor de Tropa de Elite, transfigura a transmutação do individuo. Os que antes defendiam o Sandro na Chacina da Candelária, agora são os seus algozes e os que defendiam a morte de todos, agora se reservam o direito de se julgarem certos, e padecerem sem culpa.  A catarse coletiva que tomou conta da platéia do cenário de horror no Rio de janeiro,era um grito de alerta para o sistema vigente. Infelizmente, pouca coisa mudou.  Em 2009, o Brasil presenciou mais um seqüestro, que durou por 5 dias. Muitos diziam que Lindeberg queria ser mais um Sandro, que se aproveitou da presença da imprensa. No fim, mais um civil foi morto pelo erro da policia.
           Diante dos fatos, a culpa pra tamanha violência estar em todos os lugares: desde a imprensa que não sabe ate onde vai o seu papel- o furo de noticia se tornou mais significativo que uma vida- e da própria sociedade que reprime o papel da imprensa, mas está sedenta por casos como o de Eloá, Sandro, João Gabriel dentre outros. Deve-se culpar o Estado até que ponto? O Estado é governado por cidadãos que foram eleitos pelos cidadãos, ou seja, a nação tem em suas mãos a chance de mudar a realidade à cada 4 anos. Vale ressaltar que, a sociedade é catártica. É da natureza humana desejar algo, e quando alguém realiza esse algo, ela se sente feliz, satisfeita, assim como ocorreu no caso do Sandro que todos vibraram quando ele foi alvejado. A simbologia da morte de Sandro marcou muito mais que a morte de Geysa. Mais uma vez, o Estado saiu como o herói covarde que mata para não cuidar do verdadeiro problema, que prefere não buscar soluções para salvar essas crianças que um dia serão adultas, e se tornarão agressivas e selvagens, deslocadas de um mundo que não se habituaram a morar. Geysa’s e Sandro’s vão existir por todo sempre, é uma utopia crer que isso vai acabar. Mas não é utópico pensar que esse problema tem uma solução, e essa solução já está escrita. O Estatuto da Criança e Adolescente garante à todos os direito de brincar e estudar. Infelizmente, palavras não saem do papel, e atitudes para mudarem essa situação não são tomadas.
           Resta saber se, com essa mudança na constituição em 2010 algo será feito. E que todos tenham o direito à busca pela felicidade, sem que para isso, mais um inocente, mais um Sandro e mais uma Geysa, tenham que pagar com a própria vida, os atos insossos do Estado e da sociedade que clama por paz, mas na primeira oportunidade, vira o seu próprio algoz, aumentando ainda mais a vontade dos Sandro’s em se tornarem os seus próprios senhores, e fazer da sociedade os seus servos, como a sociedade faz com eles.